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quinta-feira, 10 de maio de 2012

diapasão






Normal nesta manhã de outono,
o abandono e o sono.
que razão é esta que implica neste frio
de inverno não começado?
que vazão é esta do tédio escorrendo 
na saudade?
a  quantos sentimentos o corpo tem que se sujeitar, 
e em qual deve estacionar?
nenhuma resposta. nenhuma proposta.
aposto: se houver um beijo, um olhar e um vinho
segue-se caminho, primavera, verão
vocês verão.

segunda-feira, 5 de março de 2012

madrugada





Já se passaram horas, 
o sono escapou por entre os sentimentos.
Os sons escondem-se dos meus ouvidos,
nesta solidão sem fim.
Alguns amigos estão se indo
procurando outras janelas;
a gente vai ficando aqui, envelhecendo, empobrecendo
esperando uma curva nesta reta infindável.
Os olhos de quem nos acompanha, de perto,
vão perdendo o brilho, a fé e a vontade de vencer.
não há nenhuma dor maior que o vazio
a perda do rumo e do ritmo
quisera ouvir uma música eterna
que tocasse sempre em meus silêncios
 numa rádio que nunca fecha.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

juizo

dentre muitos anos
a vida se dilui em segundos,
escada, subida,
descida deslizante;
nos anais, registros banais
frases triviais.
levadas a sério
rompimento severo
luzes perdendo energia
tênues cordões desatando
parecendo dizer adeus.
haverá volta?
cortinas de desentendimento estendem-se no horizonte.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Do que podemos falar?
de beleza que passa nas calçadas
enfeitadas com rímel, cremes, batons. sombra e silicone?
Do alto do salto, um sorriso que não se mostra
uma solidão que se amostra
ou um anel escondido na bolsa.
olhos negros, azuis, verdes,
lagrimas brancas
nas peles brancas, negras, amarelas e vermelhas:
o amor não têm tom
o sofrimento não escolhe a pele
doi exatamente do mesmo jeito em todos,
só a felicidade parece ter mil e uma cores
e não desfila nas calçadas, nem está ao alcance da beleza

segunda-feira, 7 de março de 2011

fim de festa


quadro Miguel S.Zanirato


Ao meio dia
o sol se alinha com meu tédio
acaso alguém tem alguma coisa com isso?
quem se importa
que as mulheres amem
e os homens prefiram sexo?
quem se importa?
O que se avizinha,
me parece, que há mais solidão
entre um e outro do que possa crer nossa vâ filosofia
A gente rala na performance
e elas rolam cada vez mais no coração.
Haverá príncipe encantado?
quando se tem 15 anos, sempre há de tudo.
O problema são os anos,
que devolvem a visão, os pés no chão,
e a solteirice, cada dia mais notória.
Então ai vem a
produção independente,
e se escapa deveras
da velhice abandonada.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SALA DE AULA


Eis, que numa tarde cinzenta
No meio de uma briga de alunos

Resolvo ler Drummond, Ana Cristina Cesar e Cacaso...

Estes sim, encrencam com a poesia

Eclodem a filosofia que escorre e se espalha

Exatamente como o sangue

Na boca dos dois brigões.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

POEMA DE PRAIA

A vida, margarida
Não é passar botox
Nem disfarçar estrias

É caminhar, não só nos finais de semana,
Mas todos os dias da sua rotina,
Para cicatrizar feridas

A vida,  margarida
Não se disfarça com cirurgia plástica
É dura como o up do pugilista
E dói igual

A vida, margarida
É como a dor do arrependimento
Do aborto
Do amor que se foi.

Claro que a vida pode;
Mas depende
Do pode,  do onde, do quando.
Mas, pode.

A vida, margarida,
Amanhece com a cor pálida
que cada um consegue maquiar
para se levar adiante.